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Uma revisão de literatura sobre o design e planejamento de centros de distribuição

Marina Cardoso Guimarães

marinacguimaraes@yahoo.com.br

Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.

Guilherme Luz Tortorella

gluztortorella@gmail.com

Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.


RESUMO

Destaques: Dadas às dificuldades de implementação prática de um projeto de Centro de Distribuição (CD), torna-se essencial fornecer um estudo elaborado de projeto de CD. Portanto, esse estudo busca responder as questões de pesquisa relacionadas a as principais decisões para projetar e planejar os CD e quais são as características, vantagens e barreiras de tais decisões.

Objetivo: Identificar os principais métodos de projeto e planejamento de CD, consolidando suas características, dificuldades, destacamento de lacunas e oportunidades de pesquisa.

Desenho / Metodologia / Abordagem: A metodologia deste trabalho é uma revisão sistemática da literatura e em três etapas, que são: (i) definição do portfólio bibliográfico e eixos de pesquisa; (ii) análise bibliométrica; (iii) análise e discussão de lentes teóricas, apresentando lacunas e oportunidades de pesquisa. Os artigos recuperados e as conclusões desta pesquisa são restritos ao período de busca até julho de 2018.

Resultados: Este estudo descreve como o conceito de projeto de implantação de CD foram aplicados, quais métodos são propostos e quais dificuldades foram encontradas na implantação e projeto, de acordo com a literatura. Como resultado, apesar do consenso da importância prática do projeto de CD, a maioria das pesquisas avalia as etapas do projeto de forma isolada. Os estágios de definição da localização e o processo de separação de ordens são os mais mencionados. E por fim, o contexto e a rede de distribuição são pouco considerados na análise das decisões do projeto do CD.

Limitações da investigação: O estudo é decorrente da pesquisa de artigos científicos provenientes de bases de dados específicos e analisado sob a perspectiva da lente teórica de redes de distribuição. Portanto, a análise da literatura através de outras perspectivas pode apresentar outros resultados e lacunas de pesquisa.

Implicações práticas: Em termos práticos, a pesquisa avalia como ocorre o planejamento e implementação de CD no contexto das redes de distribuição, dessa forma, permite auxiliar os gestores nas tomadas de decisões durante o projeto de novas instalações de CD, garantindo melhores resultados na sua operação.

Originalidade/valor: Poucas investigações analisam extensivamente a rede de distribuição e todas as fases de um planejamento de projeto de CD visando um segmento de negócio específico, tornando a aplicação prática menos viável, lacuna preenchida por esse estudo.

Palavras-chave: Centros de distribuição; Projeto e planejamento de instalações; Revisão de literatura.


INTRODUÇÃO

As empresas buscam cada vez mais acelerar o fluxo de materiais, reduzindo o tempo entre o recebimento e a entrega de pedidos e, consequentemente, os custos de estoque. Nesse contexto, há uma tendência a aumentar a centralização dos estoques, facilitando a entrega direta e contínua em cada ponto da cadeia de suprimentos, destacando a relevância dos Centros de Distribuição (CD) para o desempenho dos negócios (Rheem, 1997; Nozick et al., 2001; Rodrigues; Pizzolato, 2003). A implementação de um CD, na cadeia de suprimentos, decorre da necessidade de se obter uma distribuição mais eficiente, flexível e dinâmica, capaz de responder rapidamente à demanda do cliente (Rodrigues; Pizzolato, 2003; Hiremath et al., 2013; Santos, 2015). Assim, uma parte significativa da eficácia das atividades logísticas depende da maneira como os CD operam nas cadeias de suprimento (Baker, 2004; De Santis et al., 2018).

Diversos modelos de apoio à decisão para operações de CD têm sido propostos na literatura, mas ainda há considerável dificuldade em aplicar esses modelos para orientar suas operações de forma eficaz (Gu et al., 2007; Baker; Canessa, 2009). Em outras palavras, uma base teórica sólida para o projeto de CD ainda parece estar faltando (Rouwenhorst et al., 2000; Goetschalckx et al., 2002; Dotoli et al., 2015; Vieira et al., 2017; De Santis et al., 2018; Holzapfel et al., 2018). Vieira et al. (2017) salientam que a estratégia de distribuição de uma empresa garante o sucesso das operações internas dos CD, e a maneira como as atividades internas do CD é organizada é influenciada pelas características da estratégia distribuição. Portanto, tais métodos devem contemplar as características relevantes do contexto no qual o CD está inserido e sua rede de distribuição, de modo a melhorar os resultados desses projetos. Tal lacuna na literatura levantou as seguintes questões de pesquisa:

  1. Quais são as principais decisões para projetar e planejar os CD?

  2. Quais são as características, vantagens e barreiras de tais decisões?

Para responder a essas questões, este artigo tem como objetivo identificar as principais etapas e decisões dos projetos de um CD, e analisar essas decisões pela perspectiva das características contextuais que a empresa está inserida, indicando vantagens e barreiras. Dessa forma, a literatura será avaliada através da lente teórica das redes de distribuição. O método utilizado para essa pesquisa é uma revisão da literatura, pois se pretende reforçar o objeto de estudo proposto, além justificar o diferencial da pesquisa, a partir da identificação de lacunas e perspectivas (Paré et al., 2015).

A contribuição deste estudo se dá de três maneiras. Primeiro, do ponto de vista acadêmico, a pesquisa pretende reunir o conteúdo sobre planejamento de projeto de CD, levantar o estado da arte sobre o tema, apresentar lacunas e oportunidades de pesquisa. Em segundo lugar, em termos práticos, a pesquisa vislumbra avaliar como ocorre o planejamento e implementação de CD no contexto das redes de distribuição. Por fim, esta pesquisa permite auxiliar nas tomadas de decisões durante o projeto de novas instalações de CD, garantindo melhores resultados na sua operação.

PROJETOS DE CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO

Recentemente, houve um aumento na demanda por CDs devido em parte à maior variedade de produtos e serviços que estão sendo ofertados e à mudança para pedidos menores de clientes (Higginson; Bookbinder, 2005; Zhuge et al., 2016). A centralização dos fluxos de materiais e informações através da CD facilita a obtenção de níveis mais altos de eficiência da cadeia de suprimentos (Litomin et al., 2016), aumentando a relevância de um projeto e planejamento adequados de CD (Hou et al., 2010; Hua et al., 2016).

Os processos contemplados por um CD são: recebimento, armazenagem, separação de pedidos, expedição (Rouwenhorst et al., 2000; Gu et al., 2007; Vieira et al., 2017), cross-docking (Choy, 2012; Faber et al., 2013), embalagem de produtos (Faber et al., 2013; Vieira et al., 2017), devoluções (Faber et al., 2013), entre outros. A combinação de tais processos reduz o tempo de preparação, execução e entrega do pedido, reduzindo o custo total de transporte e melhorando o nível de serviço (Litomin et al., 2016).

Conforme detalhado por Tompkins et al. (2013) na Figura 1, o planejamento das instalações pode ser subdividido em localização e projeto. A localização trata das questões macroscópicas das instalações, tais como acessibilidade dos modais logísticos e proximidades com fornecedores e clientes. Já o projeto da instalação trata dos microelementos, os quais compreendem os sistemas de instalações, arranjo físico e manuseio de materiais. Embora essas fases do projeto forneçam diretrizes bastante gerais, ao considerar o projeto de CD, outras decisões específicas devem ser levadas em consideração (Ballou, 2006), o que gera a necessidade de identificar adequadamente tais métodos.

Figura 1. Fases do projeto de planejamento de instalações

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Fonte: Elaborado a partir de Tompkins et al. (2013)

MÉTODO

Para atingir o objetivo da pesquisa, que é de identificar, a partir de uma revisão sistemática da literatura, os principais métodos de projeto e planejamento de CD. Nesse procedimento técnico utilizado, tem-se uma pesquisa do tipo bibliográfica. A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas e publicadas, como livros e artigos científicos (Fonseca, 2002). O método deste trabalho é proposto de duas etapas: a) análise bibliométrica e b) análise e discussão das lentes teóricas, para atingir as etapas é definido o portfólio bibliográfico.

Para a definição do portfólio bibliográfico (PB) utilizado na pesquisa, primeiramente foram definidos os eixos de pesquisa que são: (i) projeto de implantação e (ii) centro de distribuição. Então, foram combinadas as palavras-chave para buscar publicações nos títulos, resumos e/ou palavras-chave. Os artigos científicos foram identificados por meio das palavras-chave nas bases de dados Scopus, Web of Science e Science Direct, conforme sugerido por Ntabe et al. (2015) e Chen et al. (2017) no tema de logística e supply chain. Também, em pesquisas no portal de periódicos da Capes no assunto relacionado as palavras chaves, dentre os artigos apresentados e que são revisados por pares, 90% estavam nessas 3 bases de dados. A fim de validar as palavras-chave usadas na pesquisa inicial, foi realizada uma verificação de aderência. Para tal, três artigos com alta citação (acima de 400) dentre o portfólio inicialmente identificado nas bases de dados foram selecionados, e suas palavras-chaves comparadas com aquelas usadas nos eixos de pesquisa (Ensslin et al., 2010). Dessa forma, foi possível identificar que os artigos apresentam também o termo “projeto e planejamento de instalações”. Assim, incorporou-se tal termo aos eixos de pesquisa e uma nova busca nas mesmas bases de dados foi realizada, concluindo o PB bruto. O período de busca nas bases de dados ocorreu durante o mês de julho de 2018.

Para o processo de filtragem, analisaram-se tanto as publicações quanto aos seguintes critérios (Ensslin, 2010): (i) remoção de artigos duplicados; (ii) ponderado apenas Journal Article; (iii) títulos dos artigos alinhados ao tema de pesquisa; (iv) resumos alinhados ao tema de pesquisa; e (v) revisão do texto integral dos artigos alinhados com o tema de pesquisa. O software utilizado para o registro e seleção dos artigos foi o EndNote X7®. Conforme mostra a Tabela 1, a base Science Direct obteve maior número de publicações. Eliminando os trabalhos duplicados e que não são artigos de journals, a base foi reduzida para 5.570 trabalhos. Por fim, os resumos dos trabalhos foram lidos individualmente para checar a contribuição ao tema e dos 1.623 artigos, 203 apresentaram o resumo alinhado ao tema, e, na leitura integral do artigo, somente 67 apresentaram uma contribuição real a presente pesquisa, a fim de formar o portfólio bibliográfico (ver Tabela 2).

Tabela 1. Levantamento do Portifólio Bibliográfico

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Fonte: Os próprios autores

Tabela 2. Processo de filtragem dos artigos

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Fonte: Os próprios autores

ANÁLISE DOS RESULTADOS

A análise bibliométrica foi dividida em duas etapas: (i) análise das variáveis básicas e (ii) análise das variáveis avançadas.

Análise das variáveis básicas

Na consolidação das variáveis básicas, a primeira etapa analisa o PB quanto aos periódicos e autores mais relevantes, além do ano de publicação e métodos de pesquisa dos artigos. Para a análise bibliométrica avançada, verificou-se a contagem dos artigos quanto às seguintes variáveis: (i) análise de propostas de projeto de CD; e (ii) dificuldades na implantação do projeto de CD.

Quanto aos periódicos, a Tabela 3 mostra a distribuição de publicações por periódico contido no PB. Nesse sentido, destacam-se os periódicos European Journal of Operational Research, IIE Transactions, International Journal of Production Research, os quais apresentam mais de 8 publicações cada um. Com base nos 67 artigos que compõem o PB, foram identificados 166 autores, sendo que destes 12 apresentam mais de 2 artigos publicados (ver Tabela 4). Cabe destacar que o autor René B. M. de Koster apresenta o maior número de publicações (5 artigos) no PB.

Tabela 3. Número de publicações por journal

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Fonte: Os próprios autores

Tabela 4. Número de publicações por autor

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Fonte: Os próprios autores

Para o ano de publicação dos artigos do PB, conforme Figura 2, percebe-se que o tema de proposta de projeto de CD não é recente, visto que as primeiras publicações datam da década de 80. Contudo, cabe destacar que a partir de 2005 houve um incremento significativo de publicações no tema, atingindo seu ápice em 2017, com 8 trabalhos publicados. Tal fato demonstra a crescente relevância do adequado projeto de CD, dada a complexidade que as cadeias de suprimentos vêm adquirindo nos últimos anos frente a um mercado globalizado (Higginson; Bookbinder, 2005; Zhuge et al., 2016).

Dentre esses estudos, conforme Figura 3, metade utilizou o método de pesquisa de revisão da literatura para propor o projeto de CD e 33% utilizou o método de análise de estudos de caso. Portanto, percebe-se uma escassez em propostas de projeto de CD que estruturem uma metodologia de planejamento e projeto com base teórica e prática. Dentre os trabalhos do PB relacionados a projeto de CD, a revisão de bibliografia é o mais utilizado (Rouwenhorst et al., 2000; Gu et al., 2007; 2010).

Figura 2. Evolução temporal das publicações do PB

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Fonte: Os próprios autores

Figura 3. Métodos de pesquisa da literatura para proposta de projetos de CD

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Fonte: Os próprios autores

Análise das variáveis avançadas

Para análise da primeira variável avançada que é proposta de projeto de CD, Rouwenhorst et al. (2000) propõem que um processo de projeto de CD passe por várias etapas que são: conceito, aquisição de dados, especificação funcional, especificação técnica, seleção de equipamentos, layout, seleção de políticas de planejamento e controle. Alternativamente, essas etapas podem estar situadas em um nível estratégico, tático ou operacional. Assim, o projeto de CD pode ser encarado como um conjunto de decisões nos vários níveis do projeto, e para cada nível, as decisões são colocadas em perspectiva usando três aspectos de um CD: (i) processos, (ii) recursos e (iii) organização.

No nível estratégico, as decisões do projeto têm um impacto de longo prazo, principalmente decisões que dizem respeito a altos investimentos. Assim, o principal aspecto do projeto de CD envolvido no nível estratégico é referente aos processos (aspecto i), o qual é evidenciado a partir das decisões relativas ao projeto do fluxo do processo e à seleção dos tipos de sistemas de armazenamento. No nível tático, várias decisões de médio prazo devem ser tomadas, geralmente relacionadas aos aspectos “recursos” (p.ex. tamanho do sistema de armazenamento e número de funcionários) e “organização” (p.ex. determinação do layout). Por fim, para o nível operacional, as principais decisões dizem respeito a problemas de atribuição e controle de pessoas e equipamentos (recursos) (Rouwenhorst et al., 2000).

Já as pesquisas de Gu et al. (2007; 2010) identificam os problemas de operação relacionados às quatro principais funções de CD (recebimento, armazenamento, separação de pedidos e expedição). Além disso, incluem avaliação de desempenho e ferramentas de suporte para o projeto de CD, envolvendo cinco etapas principais (ver Tabela 5). As etapas e decisões do projeto do CD de Gu et al. (2007) foram adaptadas, agrupando algumas etapas que são relacionadas, e incluída uma etapa de localização de CD, que é bastante citada no PB. As duas primeiras etapas, determinação da estrutura geral do CD e seu dimensionamento, complementam as etapas já citadas por Rouwenhorst et al. (2000). Na etapa de layout tem-se a configuração detalhada do CD, tais como áreas de corredores e picking, além de padrões de empilhamento de paletes nas áreas de armazenamento. A etapa de seleção de equipamentos compreende decisões voltadas ao nível de automação apropriado para o CD, como tipos de equipamentos para armazenamento, transporte e separação de pedidos. Por fim, a seleção da estratégia de operação determina como o CD será operado no que diz respeito ao armazenamento, coleta, organização e separação de pedidos. Tais decisões impactam a eficiência operacional dos fluxos de informação e material no CD, o que aumenta a necessidade de seu alinhamento com as decisões das etapas anteriores.

Bodner et al. (2002) classificam a literatura de projetos de CD em duas grandes categorias. A primeira categoria aborda o problema geral do projeto de um CD, enquanto a segunda categoria trata de especificidades do projeto de um CD, tal como o projeto de um sistema de armazenamento ou um sistema de separação de pedidos. Vieira et al. (2017) dividem o projeto de CD em estratégias de distribuição, atividades internas e características das operações de distribuição, e propõem um modelo de decisão para operações em um CD com base em aspectos estratégicos, táticos e operacionais, à exemplo de Rouwenhorst et al. (2000). Já o estudo de Hsieh e Tsai (2006) salientam que os trabalhos anteriores sobre a operação de separação de pedidos de um CD geralmente se limitam à política de separação de pedidos e roteiro de picking, e poucos se concentram em uma solução combinada sobre o projeto da quantidade de corredores do layout, a política de separação de pedidos, planejamento de atribuição de armazenamento, densidade média de picking dentro de um corredor, etc. Por fim, Baker e Canessa (2009) entrevistaram empresas para verificar as etapas que seguem ao projetar um CD.

Rouwenhorst et al. (2000) e Bodner et al. (2002) indicam que existe uma grande quantidade de estudos sobre a análise de etapas do planejamento do projeto de CD, como layout e manuseio de materiais, mas a literatura apresenta escassez de uma base para o projeto geral do CD. Baseado nesse contexto, a partir da leitura do PB, é feita a análise das etapas do planejamento de projeto CD, fundamentado nas etapas de Gu et al. (2007), conforme detalhado na Tabela 5, sendo a etapa que possui maior quantidade de artigos publicados é sobre a definição do processo de separação de pedidos.

A separação de pedidos é um dos processos mais trabalhosos e demorados em CD (Franzke et al., 2017). Pode ser definido como o processo de recuperar produtos dos locais de armazenamento para atender aos pedidos dos clientes (De Koster et al., 2007), e é um processo crítico nas cadeias de suprimentos que influencia diretamente a satisfação do cliente. Para os autores na etapa de projeto de CD, que consiste na definição das operações do CD, a de separação de pedidos é um dos processos a ser definido e que deve contemplar as decisões de lote, sequenciamento e separação.

A segunda etapa mais citada, considerando o planejamento da instalação, é a localização de um CD. O possível motivo é que a localização de um CD influencia a escolha do fornecedor e, essas decisões de fornecimento influenciam o custo total de distribuição. Além disso, os custos relacionados ao fornecedor tornaram-se mais significativos nos últimos anos com a crescente volatilidade do mercado (Nozick; Turnquist, 2001; Huang et al. 2012). Portanto, além dos trabalhos em projeto geral de CD serem escassos, considerando também as etapas de projeto de CD, muitas fases também possuem poucas publicações, como definições de seleção de equipamentos e estratégia de operação de armazenamento, enfatizando a necessidade de estudos em todas as etapas do planejamento de projeto.

Tabela 5. Etapas e decisões de projeto de CD e frequência de citação

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Fonte: Elaborado a partir de Gu et al. (2007)

A segunda variável avançada analisada contemplou as dificuldades na implantação do projeto de CD. Bodner et al. (2002) salientam que as pesquisas desenvolvidas em projeto de CD são raramente aplicadas na prática, uma vez que os profissionais da indústria geralmente seguem sua experiência e conhecimento para elaboração dos projetos. Uma das justificativas para tal distanciamento entre teoria e prática, compreende a falta de um procedimento que integre estruturas de projeto conceitual com modelos para problemas específicos. Da mesma forma, Gu et al. (2007) apontam que as pesquisas em projeto de CD se concentraram fortemente no armazenamento e na coleta de pedidos, principalmente porque essas são as duas funções de um CD que têm o maior impacto no desempenho operacional geral. Além disso, argumentam que os resultados das pesquisas são insuficientemente compartilhados com profissionais da indústria. Complementarmente, Gu et al. (2010) sugerem que a elaboração de mais estudos de caso suportados por ferramentas computacionais podem auxiliar a aproximar as questões acadêmicas da aplicação prática.

Vieira et al. (2017) destacam como limitação o fato de cada atividade do CD ser analisada e projetada independentemente, acarretando soluções subelevadas e com baixas inter-relações. O projeto de CD é uma tarefa altamente complexa, onde em cada etapa os trade-offs têm que ser analisados. Nesse sentido, a falta de uma sistemática amplamente aceita para analisar a viabilidade dos projetos de CD caracteriza uma dificuldade adicional (Rouwenhorst et al., 2000). Para Baker e Canessa (2009), embora pareça haver um consenso sobre a estrutura geral da abordagem, há menos consenso sobre a natureza exata das ferramentas/métodos a serem usados em cada fase. O desenvolvimento de uma metodologia abrangente para o projeto de CD, portanto, parece ser oportunidade latente para pesquisas futuras.

Lente Teórica – Redes de Distribuição

O termo “lente teórica” é relativamente novo e usado pelos pesquisadores nos processos de ampliação do conhecimento. Ao validar uma teoria emergente, as Lentes Teóricas existentes podem ser usadas para explicar como a teoria está relacionada à literatura (Birks et al., 2013). O termo lente teórica não exige que a lente em si seja uma teoria; no entanto, é necessário que o procedimento de usar uma lente contribua de várias maneiras para esta (Holweg; Pil, 2008). Autores podem introduzir o termo como uma maneira de explicar ou justificar as categorias específicas nas quais classificaram dados como parte do processo de análise. Da mesma forma, a lente teórica que um pesquisador escolhe pode explicar por que ele selecionou níveis de análise de uma população maior para guiar a coleta de dados (Pan; Tan, 2011; Niederman; March, 2019). Assim, as evidências encontradas no PB foram analisadas sob a ênfase dada às Redes de Distribuição (RD).

Um dos principais impulsionadores da produtividade e lucratividade geral de uma cadeia de suprimentos é sua RD, que pode ser usada para atingir uma variedade de objetivos da cadeia de suprimentos, desde o baixo custo até o alto nível de atendimento (Javid; Azad, 2010). Na atividade de distribuição, os CD são frequentemente de alta importância, uma vez que contribuem para melhorar tais fluxos de distribuição, desde as fábricas onde as mercadorias são produzidas, até os pontos de consumo, geralmente distribuidores (Ambrosino; Scutella, 2005; Choy et al., 2012). O objetivo da análise de uma RD é determinar o melhor sistema de distribuição, a fim de minimizar os custos de instalação, armazenamento, transporte e estoque, e conceder um alto grau de serviço ao cliente. Os tipos de RD são classificados de acordo com o número de níveis na rede e com o tipo de rotas entre eles (Zhao et al., 2011).

Cada estabelecimento de uma rede é um nó e cada nível pode ter um ou mais nós. Os nós são agrupados em até cinco níveis, tais como as fábricas (1º nível), que enviam produtos para um ou mais CD (2º nível), que podem transferir para depósitos regionais e/ou pontos de trânsito, que não possuem estoque (3º e 4º níveis, respectivamente), e que enviam aos clientes finais (5º nível). A Figura 4 ilustra uma RD e os cinco níveis. Já na conexão entre os nós da rede, os tipos de rotas podem ser de abastecimento direto das fábricas para o CD, rotas de CD para depósitos regionais ou pontos de trânsito, do CD para pequenos clientes, e rotas mistas de CD para depósitos regionais, pontos de trânsito e clientes (Ambrosino; Scutella, 2005). Para facilitar a análise da literatura, a Figura 5 apresenta uma codificação dos tipos de redes e rotas de distribuição existentes.

Figura 4. Tipos de redes de distribuição

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Fonte: Os próprios autores

Figura 5. Classificação das redes e rotas de distribuição

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Fonte: Os próprios autores

Por fim, a Tabela 6 analisa a classificação da rede e rota de distribuição dos estudos do PB e as etapas do projeto do CD identificadas nos estudos. Na análise, a classificação da rede e rota de distribuição é relacionada com as referências do PB que citam cada tipo de classificação. Da mesma forma, essas referências são relacionadas com as etapas e decisões do projeto do CD abordados em seus estudos. É possível identificar que das 6 etapas do projeto do CD, algumas etapas (E2, E5 e E6) são citadas em vários estudos, porém, as etapas E1, E3 e E4 têm baixa relação com o tipo de rede e rota de distribuição, analisando pela frequência de citação. Também, os estudos abordam uma ou duas decisões de cada etapa do projeto do CD, o que salienta que os trabalhos que abordam a RD detalham geralmente aspectos específicos do projeto do CD.

Tabela 6. Relação da classificação da rede e rota de distribuição e etapa do projeto de CD do PB

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Fonte: Os próprios autores

CONSIDERAÇÕES FINAIS E DIRECIONAMENTOS DE PESQUISA

O objetivo deste trabalho foi identificar, a partir de uma revisão sistemática da literatura, os principais métodos de projeto e planejamento de CD consolidando suas características, vantagens e barreiras. Para tal, realizou-se tanto uma análise quantitativa (bibliométrica) quanto qualitativa (lentes teóricas) do conteúdo disponível na literatura, o que possibilitou a identificação de lacunas e oportunidades de pesquisas futuras no tema. Apesar de uma grande quantidade de trabalhos sobre as etapas específicas do projeto de CD tenha sido identificada, a literatura apresenta escassez de uma base teórica robusta e comum para o projeto geral do CD.

Apesar dos resultados obtidos, cabe destacar algumas limitações desse estudo. Primeiramente, é importante ressaltar que a revisão bibliográfica não apresenta as ferramentas utilizadas nas etapas e decisões do projeto de CD, pois cada estudo e segmento de atuação pode apresentar uma forma para implantação dessas etapas, o que ampliaria muito o escopo da pesquisa. A análise das lentes teóricas é relacionada a redes de distribuição e segmento de atuação das empresas, porém, estudos futuros poderiam analisar o conteúdo do mesmo portfólio bibliográfico sob a lente de outras abordagens, como modais de transporte e a relação entre as etapas do projeto do CD.

Por fim, na etapa de coleta dos artigos científicos para consolidação do portfólio bibliográfico, os trabalhos foram identificados sobre as pesquisas disponíveis nas bases de dados citadas. Contudo, nessas bases, podem trazer contribuições adicionais aos resultados.

Com base no exposto, para as oportunidades de pesquisas futuras, o trabalho identifica diversas lacunas relacionadas a implantação de um planejamento de projeto de CD. Assim, dois principais direcionamentos para pesquisas futuras são destacados: (i) metodologia ampla para as etapas do projeto de CD; e (ii) análise da implementação de projeto de CD na rede de distribuição.

Metodologia ampla para as etapas do projeto de CD

Em função da escassez de propostas de projeto de CD que estruturem uma metodologia de planejamento e projeto com base teórica e prática, as pesquisas desenvolvidas em projeto de CD são raramente aplicadas na prática. Como argumentam Gu et al. (2007), os resultados das pesquisas são poucos compartilhados com profissionais da indústria. Além disso, Baker e Canessa (2009) salientam que há pouco consenso quanto às ferramentas e métodos a serem usados em cada etapa. Assim, o desenvolvimento de uma metodologia abrangente para o projeto de CD parece ser oportunidade latente para pesquisas futuras, identificando as ferramentas e métodos a serem utilizados para cada etapa.

Soma-se a isso a necessidade de evidências de sua aplicação prática, as quais podem ser obtidas a partir do desenvolvimento de estudos de caso ou pesquisa/ação no tema. A proposição de tais métodos poderia ainda contemplar as peculiaridades de cada tipo de indústria, uma vez que poucos trabalhos do PB explicitamente descrevem o contexto analisado. Nesse sentido, a inclusão do efeito de características como volume e valor agregado dos produtos, pode gerar uma melhor definição do método utilizado para o projeto do CD.

Análise da implementação de projeto de CD na rede de distribuição

O sucesso da estratégia de distribuição de uma empresa desempenha um papel crítico no suporte às operações internas dos CD, e a maneira como as atividades internas de diferentes CD são organizadas é influenciada pelas características das operações de distribuição (Vieira et al., 2017). Apesar do exposto, poucos trabalhos abordam a rede de distribuição com relevância nas etapas do projeto do CD (apenas 13 estudos do PB). Os trabalhos existentes tratam isoladamente as etapas das operações internas (projeto do CD) ou externas (RD), muito possivelmente em função da complexidade da análise simultânea de ambas operações.

Como recomendação, pesquisas futuras devem detalhar nas etapas do projeto do CD levando em consideração as características específicas das RD. Tais estudos permitiriam quantificar a relação entre as etapas e decisões do projeto de CD e a definição da rede e rota de distribuição, apresentando argumentos práticos para a importância dessas definições nas decisões do projeto do CD. Em termos práticos, a continuidade da pesquisa neste tópico poderia indicar como essas relações impactam na organização como um todo.


REFERÊNCIAS

Nota: *As referências com demarcação são aquelas incluídas no portfólio bibliográfico da pesquisa.

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Recebido: 30 jul. 2019

Aprovado: 02 dez. 2019

DOI: 10.20985/1980-5160.2019.v14n4.1560

Como citar: Guimarães, M. C.; Tortorella, G. L. (2019), “Uma revisão de literatura sobre o design e planejamento de centros de distribuição”, Sistemas & Gestão, Vol. 14, No. 4, pp. 370-381, disponível em: http://www.revistasg.uff.br/index.php/sg/article/view/1560 (acesso dia mês abreviado. ano).



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